Reconhecendo a moeda base

Apesar do Brasil ter sido “descoberto” em 1500, sua colonização só teve início em 1530. Na época do descobrimento, Portugal nutria um maior interesse econômico no lucrativo comércio com as Índias. Porém as mercadorias trazidas desta região foram, com o tempo, se tornando tão comuns na Europa que seus preços começaram a descer a níveis muito baixos, fato que passou a se refletir em prejuízos para a Coroa Portuguesa. Na época o rei de Portugal era D. João III, que sucedera a D. Manuel no ano de 1521. O objetivo principal de D. João passou a ser, então, o de explorar sua colônia recém-descoberta na América, com o objetivo de compensar o que não obtinha mais com o comércio com o oriente.

Assim que iniciou o período colonial ( e mesmo antes deste ), o comércio nas terras descobertas era realizado por meio de trocas e as moedas que circulavam eram aquelas trazidas por colonizadores, invasores, piratas e outros bandidos que comercializavam na costa brasileira. Ao lado das moedas portuguesas, circulavam, também, moedas de diversas nacionalidades ( espanholas, inglesas, francesas, etc ) onde o valor intrínseco da moeda estabelecia a equivalência comercial. 

Os pesos hispano-americanos (cunhados nas colonias espanholas) e os metropolitanos (cunhados na Espanha) que foram contra-marcados com o “ Carimbo de Minas “, são moedas de prata de valor nominativo 8 reales (8R), possuindo um diâmetro de 42 mm em média (na verdade variavam entre 37 e 42 mm) e peso oficial igual a 7,5 oitavas, o equivalente a 26,894 gramas (aproximadamente 27 gramas). O teor de prata pura dessas moedas girava entre 896 e 917 partes por 1000 e eram cunhadas tanto na Espanha, quanto em suas colônias americanas (a chamada américa espanhola).

Um dos fatores que irá determinar o grau de raridade dos “carimbos de Minas” é justamente a base em que as contramarcas foram aplicadas. Para isso devemos levar em consideração dois aspectos:

1) As moedas que possuem o busto do soberano

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Moeda hispano americana de 8 reales, com o busto do soberano ( Carlos III, Carlos IV, Ferdinando VII, etc)

Obs: Ainda existem moedas com o nome de um soberano e o busto de outro, como e o caso, por exemplo da moeda de Carlos IV, com o busto de Carlos III, ou Ferdinando VII, com o busto de Carlos IV (casa da moeda de Popayán).

2) as que não possuem o busto do soberano, conhecidas como colunários, ou mundos e mares. Em seguida vem a identificação da origem da moeda ou seja, a casa da moeda onde foi cunhada. Sendo assim, temos: 

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Cunhadas durante o reinado de Carlos III, estas moedas possuem, no anverso, a alegoria dos dois mundos cercados pelos dois pilares de Hércules, representando o estreito de Gibraltar (considerado o fim do mundo conhecido).

Identificado o tipo de moeda (busto ou colunario), o segundo passo e determinar a casa da moeda em que a base foi cunhada. Isto se faz, identificando a letra monetaria. Na moeda do tipo busto, a letra monetaria encontra-se na legenda de reverso, entre “REX” e “8R”.

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