A incrível história de uma moeda que não deveria existir – 1ª Parte.

Imagine que seu avô tenha sido um colecionador de moedas de ouro ou que tenha andado lá pelos EUA na década de 30 e que em meio aos seus pertences você encontrasse uma única moeda de ouro, pesando pouco mais de 30 gramas (como a da foto a seguir). Se for assin, então dê uma boa olhada na data ! Se for 1924 ou 1927, você pode até faturar uma graninha, vendendo-a por US$ 900 dólares. Mas muita atenção, pois se a moeda for igual à da foto abaixo (20 dólares) e a data for 1933, você acabou de conquistar sua independência financeira. Por que? Saiba a seguir!

Agora você irá conhecer o primeiro de dois capítulos de uma história fantástica no mundo do colecionismo. Uma história de emoções, paixões, furtos, desilusão, decepções, ansiedade, corrupção, reis e altos funcionários do governo americano, numa trama digna de um filme.
Tomará conhecimento dos passos percorridos por uma fantástica moeda que, pela lei americana, jamais poderia existir mas que apesar disso, passou pelas mãos de funcionários da Casa da Moeda da Filadélfia, de um Rei, de pessoas comuns, de altos funcionários do governo americano, de agentes secretos, colecionadores e comerciantes de jóias e de moedas, até chegar à Stack’s e Sotheby’s e ser leiloada pela fantástica soma de 6,6 milhões de dólares, tendo seu comprador desembolsado quase 7,6 milhões devido às comissões das prestigiosas casas de leilão.
Irá tomar conhecimento das investigações e de como algumas destas moedas foram parar, inexplicavelmente, num cofre privado, onde seus herdeiros sequer sabiam o tesouro que continha.

Mas deixemos de lado as considerações e passemos diretamente a esta fantástica narrativa ! A incrível e verdadeira história de uma moeda que jamais deveria ter existido. Boa leitura a todos !

A fascinante história de uma raríssima moeda. O US Saint Gaudens Double Eagle de 1933.

O US Saint Gaudens Double Eagle de 1933 vendido no leilão de Stack’s e Sotheby’s em 30/07/2002.

O martelo do leiloeiro da venda sob ofertas organizada pela Stack’s e Sotheby’s em Nova York no dia 30 de julho de 2002 para vender uma única moeda – aparentemente a mais rara, e com certeza a mais disputada – parou no valor recorde de 6,6 milhões de dólares, uma soma nunca alcançada precedentemente, e que sobe a 7,59 milhões, se levarmos em conta também a comissão do leiloeiro. Mas o que levou um colecionador anônimo a desembolsar esta incrível soma, pagando “tanto” por uma única moeda de ouro de 20 dólares cunhada apenas 70 anos atrás. E, ainda, por qual razão uma moeda cunhada em quase meio milhão de exemplares se tornou tão rara e disputada?

Esta última pergunta já havia sido feita em 1944 por Ernest Kehr, jornalista responsável pela sessão de filatelia e numismática do New York Herald Tribune que, notando em uma lista de leilão o anúncio da venda de um extraordinário “double eagle de 1933”, pelo qual seu antigo proprietário havia pago um pouco mais de 2000 dólares (valor considerado altíssimo para a época em que foi adquirida), pensou que seria uma boa idéia dirigir-se à Casa da Moeda americana para saber quantos exemplares teriam sidos postos em circulação, e o que poderia justificar uma cotação do gênero.

Foi justamente a curiosidade de Kehr a dar início a uma das mais complexas aventuras numismáticas dos últimos tempos, rica de surpresas, decepções, euforia e desilusões. Uma história que depois de se perder nos anais do colecionismo por mais de 70 anos, ainda hoje não se concluiu definitivamente, e que teve como protagonistas colecionadores ricos e facultosos, comerciantes inescrupulosos, funcionários desonestos da casa da moeda de Filadélfia , agentes do serviço secreto americano, o rei Farouk do Egito , casas de leilão, e, por último, os herdeiros de um dos personagens originalmente envolvidos no “furto” e na venda de alguns exemplares desta moeda, mantidos entre seus bens herdados e trancados num cofre que continha 10 destas raríssimas e “proibidas” moedas. Mas procedamos com ordem.


O FIM DE UMA ÉPOCA

OS 445.500 exemplares do “Double Eagle de 1933” – última cunhagem em ouro das casas da moeda da Filadelfia, de San Francisco e de Denver que desde 1907, colocou em circulação mais de 70 milhões de moedas com desenhos do admirável escultor “Augustus Saint-Gaudens” (na foto ao lado, em seu atelier)– foram cunhadas em Filadélfia em 3 sessões, entre 15 de março e 19 de maio. O contingente tinha sido estabelecido pelo Tesouro Americano em base ao quantitativo de moedas de 20 dólares postas em circulação no ano anterior pelo Federal Reserve Bank, e a abertura dos cunhos se deu em Filadélfia, a partir de 18 de fevereiro.

Em teoria, a cunhagem dos 20 dólares com data 1933 sequer deveria ter sido processada. Logo após a sua eleição em 4 de março de 1933, de fato, o presidente “Franklin Delano Roosevelt” proibiu o uso do ouro (sob forma de moeda ou certificado) em pagamentos, na tentativa de por fim a grave hemorragia de metal amarelo que arriscava comprometer a credibilidade do sistema bancário americano (na semana ente o fim de fevereiro e início de março de 1933, companhias e privados tinham retirado dos bancos, para estocá-los ou transferi-los ao exterior, mais de 200 milhões de dólares em ouro, perfazendo um total – na cotação atual do ouro – cifra que supera os 6 bilhões de dólares).

Roosevelt anunciou a sua decisão (em vigor a partir do dia sucessivo) domingo, 5 de março, decretando ao mesmo tempo o fechamento de todos os bancos por quatro dias, enquanto o Secretário do Tesouro William H. Woodin (retratado na foto a seguir) telegrafava as casas da moeda de Denver, Filadelfia e San Francisco, ordenando que fossem suspensos quaisquer pagamentos em ouro. O Congresso, convocado urgentemente no dia 9 de março, aprovava no mesmo dia a decisão do presidente. A diretiva de Roosevelt proibia também o acumulo de ouro amoedado por parte dos privados e, mesmo que não especificasse qual fosse o limite quantitativo que fizesse com que um acúmulo chegasse a ser considerado um reato, sancionava a posse não autorizada de ouro em moedas ou certificados, com uma multa de até 10.000 dólares e uma pena de detenção de até 10 anos.

A provisão não impunha explicitamente aos cidadãos americanos de restituir o ouro amoedado, que estivesse em sua posse, ao Federal Reserve Bank, mas que este fosse o seu preciso objetivo, nao restava qualquer dúvida, tanto que o público, respondendo ao apelo do presidente, do Congresso e das autoridades monetárias, e uma única semana fez afluir aos bancos mais de 300 mihões de dólares em ouro. A adesão inicial bem cedo perdeu parte do seu vigor e no dia 5 de abril, um mês depois da divulgação da provisão, o ouro “restituído” ao Tesouro chgava a um total de apenas 633 milhões de dólares. Segundo a estimativa do governo, ao apelo presidencial faltavam, pelo menos, mais um outro bilhão de dólares.

Para acelerar o retorno do metal, que ainda estava circulando, aos cofres do Federal Reserve, no dia 5 de abril Roosevelt (foto ao lado) emanou uma nova diretiva que depois de ter precisado o teto cumulativo (100 dólares), impôs explicitamente aos privados a obrigação de restituir ao Tesouro Americano o ouro de que mantinham posse; uma exceção era consentida somente para as moedas de ouro “raras e inusuais” procuradas pelos colecionadores. As pressões pelo retorno do ouro nos cofres do Federal Reserve continuaram até que o Gold Reserve Act, aprovado pelo Congresso e assinado por Roosevelt no dia 30 de janeiro de 1934 estabelecesse definitivamente que todo o ouro amoedado (revalutado de 20,67 a 35 dólares a onça) pertencia ao governo dos E.U.A., que o transformaria em lingotes de peso e título estabelecidos pelo Secretário do Tesouro (refundindo portanto as moedas) destinando o produto final a ser estocado no novo depósito em construcão em Fort Knox.

Já depois do primeiro decreto de 5 de março de 1933, a Casa da Moeda de Filadélfia poderia ter suspendido a cunhagem das moedas de ouro, não mais admitidas como instrumento de pagamento. Como a burocracia, porém, tem seus próprios tempos e inércias, um primeiro quantitativo de double eagles de 1933 foi cunhado entre 15 e 24 de março, seguidos por mais 200.000 entre 7 e 27 de abril e pelos últimos 145.500 entre 8 e 19 de maio. A inteira cunhagem, embalada em sacos de 250 moedas, cada um pesando cerca 8,4 quilos, foi trancada no cofre F da Casa da Moeda, de onde nunca mais sairia se não 3 anos depois para a refusão. A única exceção foram dois sacos contendo 500 peças ao todo de onde deveriam ser retirados os exemplares destinados ao laboratório da Casa da Moeda e à Comissão de análise para que fossem verificados o peso e o título do metal, tendo sido confiados aos cuidados do tesoureiro e fechados na sua caixa-forte.

Monumento de Augustus Saint Gaudens ao general William T. Sherman.


ESPERANDO PELA FUSÃO

É sobre as 500 peças que ficaram sob o controle direto do tesoureiro-caixa – cargo que, depois da aposentadoria de Harry Powell no fim de 1933 e a saída de cena de seu sucessor designado Hibberd Ott, por motivos de saúde, foi assumido no dia 20 de março de 1934 por George McCann, figura chave nos acontecimentos sucessivos – que devemos voltar a atenção para entender como, quando e quantos “double eagles de 1933” tenham saído ilegalmente da Casa da Moeda de Filadélfia e alcançado o mercado, sempre à espera de oportunidades, por novidades e, com estas, as chances de lucro.

Como resulta da documentação do arquivo da casa da moeda de Filadélfia, 20 das 500 moedas foram enviadas a Washington, mais especificamente ao laboratório da casa da moeda dos EUA para o controle do título, exigência para a qual fossem todas refusas. Das que sobraram, 446 foram mantidas à disposição da Comissão de Análises, convocada na metade de fevereiro de 1934, enquanto outras 34 foram pegas por Edward McKernan, responsável pela câmara de segurança, em 2 de fevereiro. Nao ficou claro se estas moedas foram depositadas novamente nos cofres junto com o grosso do contingente ou se (hipótese mais provável, levando em consideração o reduzido quantitativo e as verificações ainda em curso), se tenham unido as outras em contemporânea custódia do caixa.

A Comissão de Análise, reunida no dia 14 de fevereiro de 1934, destruiu 9 moedas para determinar o peso e o título, resultados ambos regulares segundo quanto o certificado do dia 15 de fevereiro, e no dia 20 as outras 437 foram restituídas a Hibberd Ott, caixa em função e que as repôs na própria caixa-forte junto aos 34 exemplares recebidos em precedência por McKernan (para um total de 471 peças).

A reserva federal de ouro de Fort Knox.

O processo posto em movimento pelo Gold Reserve Act, enquanto isso continuava avançando inexoravelmente. No dia 4 de agosto de 1934 Nellie Tailoe Ross , diretora da Casa da Moeda dos EUA , telegrafou aos diretores dos estabelecimentos de Denver, Filadélfia e São Francisco para dar início à fusão de todo o estoque nacional de moedas de ouro, com a finalidade de tranformar o produto da fusão em lingotes de ouro 900‰ (mesmo teor das moedas, para “não perder temp e nem dinheiro”); uma missão que, devido aos consistência dos recursos e a capacidade das instalações, levaria mais de 2 anos, com uma previsão de conclusão que somente se daria em julho de 1937, com a chegada ao Fort Knox das cargas de lingotes escoltados pelas guardas armadas da Casa da Moeda.

Baseado na documentação oficial, entre 6 de fevereiro e 18 de março de 1937, na Casa da Moeda de Filadélfia foram fundidas e transformadas em lingotes, precedidas por milhares de outras moedas de ouro de 2,5; 5; 10 e 20 dólares, 445.000 “double eagles” de 1933, que nunca saíram do cofre F, mais as 471 em posse do caixa. Das 471 moedas qu erestaram das análises e testes, se devem subtrair os dois exemplares que em 2 de outubro de 1934 George McCann enviou, sob a disposição da diretora Nellie Tayloe Ross, ao Smithsonian Museum, para serem inseridas na coleção numismática do referido museu. A conta, formalmente, estaria correta: das 445.500 moedas cunhadas, 29 foram hipoteticamente destruídas em testes, duas foram doadas ao Smithsonian (fato comprovado), e as outras 445.469 foram fundidas (?). Mais nenhum exemplar do double eagle de 1933 – nunca posto em circulação pela Casa da Moeda Americana – deveria ou poderia ter “sobrevivido”. Mesmo assim…..


COMEÇA A CAÇA AO TESOURO

Os primeiros indícios que mostravam que as coisas não tinham ocorrido em conformidade com os documentos oficiais afloraram a partir de abril de 1937, quando um periódico numismático declarou, indicando rumores dos ambientes do colecionismo, que alguns exemplares teriam escapado à fusão, e os que terminaram nas mãos de colecionadores e comerciantes vinham sendo tratados a preço “de afeição”. A notícia não suscitou particular estupor, nem reações por parte das autoridades monetárias. O mundo do colecionismo e do comércio numismático nao era tido sob particular consideração e nem mesmo quem havia desenrolado um papel importante durante a subtração das moedas destinadas à fusao, fazendo-as sair ilegalmente da casa da moeda teria qualquer interesse em “colocar lenha na fogueira”.

Um outro periódico reportou que, sempre em abril de 1937, o conhecido colecionador Fred Boyd teria mostrado algumas semanas antes, na reunião do New York Numismatic Club, um exemplar de double eagle de 1933 em sua posse. O próprio Boyd voltou a expor a moeda em 1938 em Columbus e no ano seguinte em Nova York. Nas revistas numismáticas começaram a aparecer os primeiros anúncios alusivos a quem gostaria de adquirir o último dos double eagles cunhados, e no número de fevereiro de 1941 de “Numismatist” apareceu a primeira proposta de venda; Smith & Son, comerciantes de Chicago, ofereciam (com várias fotos ilustrativas) um double eagle de 1933, “a mais rara da série – exceto pelo exemplar de 1849 – e um dos únicos 3 exemplares conhecidos até hoje. O preço só seria fornecido a pedido dos adquirintes interessados”.

Na época o anúncio não suscitou particular interesse (talvez por causa do preço pedido), tanto que a oferta foi repetida em março e em junho, quando finalmente apareceu um comprador. Nenhuma reação porém, mais uma vez, partiu das autoridades monetárias. Para que isso se verificasse, foram necessários que se passassem outros três anos. De fato, em 18 de março de 1944, Enest Kehr, folheando o catálogo da Casa de Leiloes Stack’s – a ser realizado no dia 25 do mesmo mês – foi pego pela curiosidade de saber o que fazia do lote 1681 (double eagle 1933) uma raridade, e teve a idéia de se dirigir ao escritório do diretor da Casa da Moeda para um esclarecimento. Em 20 de março a questão chegou aos ouvidos da diretora Ross, que pediu a Filadélfia uma resposta. Esta chegou no dia 22 sob forma de um relatório detalhado de 10 páginas, nas quais resultavam os números de moedas cunhadas, destruídas nos testes e refusas, além obviamente das duas entregues ao museu Smithsonian. Nenhuma moeda tinha sido entregue ao Tesouro (e deste aos bancos) para ser distribuída, portanto nenhuma podia, oficialmente se encontrar em circulação. Se isto estava acontecendo, se supunha que o lote oferecido por Stack’s era de uma moeda “falsa” ou “roubada”.

Nellie Tayloe Ross, a primeira mulher americana a ser eleita ao cargo de governador (Wyoming em 1922) e primeira mulher a ser nomeada, pelo presidente Franklin Delano Roosevelt, diretora da Casa da Moeda, cargo que ocupou de 1933 a 1953.

Neste ponto, a Casa da Moeda colocou a questão aos cuidados do serviço secreto, competente nesta matéria por ser o responsável pela repressão à violação ao Gold Reserve Act. Do caso se ocupou pessoalmente o diretor do serviço, Frank J. Wilson, que confiou as investigações aos agentes especiais Harry w. Strang e James Haley. Como estavam efetivamente em presença de um reato, era necessária uma medida veloz, pois ao leilão Stack’s faltavam somente dois dias. No dia 24 os dois agentes foram a Nova York para encontrar o jornalista cuja iniciativa tinha dado início ao caso. Mas Kehr não conseguiu fornecer nenhum outro elemento que pudesse auxiliar nas investigações. Tudo o que sabia, já havia sido relatado. Os agentes então se dirigiram à sede da Stack’s para interrogar os titulares.

Considerados totalmente estranhos a qualquer comportamento ilícito, os irmãos Joseph e Morton Stack não tiveram dificuldades em exibir a moeda em sua posse; além disso confirmaram que no catalogo do referido leilão havia um erro; diferentemente de quanto indicado, o precedente proprietário (o coronel Flanagan) não havia pago 2200 dolares pela moeda, mas sim 1250, como vieram a saber uma semana antes. Os irmãos Stack disseram também aos agentes que um outro exemplar da mesma moeda estava notoriamente em posse de Max Berenstein, um joalheiro cuja loja se encontrava a alguns quarteirões dali.

As atuais instalações da Casa da Moeda de Filadélfia.

A este ponto o agente Strang explicou que, de acordo com as documentações do Tesouro, a moeda nunca teria sido posta em circulação, e portanto se tratava presumivelmente de um exemplar falso ou “roubado”, que o serviço secreto teria que sequestrar diante da expectativa de desenvolvimentos posteriores. Durante a tarde, após entregarem aos irmãos Stack, como seu álibi regular, uma fatura pelo double eagle de 1933, os dois agentes saíram da casa de leiloes dos irmãos para se dirigirem à joalheria de Berenstein. A caça ao tesouro ilegalmente “roubado” tinha começado.


UMA INCRÍVEL COINCIDÊNCIA

Aqui é oportuno dar alguns passos atrás. Exatamente um mês antes, dia 25 de fevereiro de 1944 (o que ainda não era do conhecimento dos investigadores), um funcionário da embaixada egípcia em Washington tinha ido ao escritório da Casa da Moeda, no Ministério do Tesouro, para pedir a permissão de exportação de uma moeda que o seu soberano, o rei Farouk (foto ao lado), havia comprado dois dias antes, de um comerciante de Fort Worth, Texas, pagando 1575 dólares; tratava-se de um double eagle de 1933. Baseado no Gold Reserve Act, a exportação de moedas de ouro dos EUA era permitida somente se se tratava de exemplares de interesse especial para os colecionadores, “status” delegado pelo referido escritório da Casa da Moeda.

Depois de um funcionário compilar o pedido e receber o double eagle de 1933, o escritório da Casa da Moeda entrou em contato com Theodore Belote, curador da coleção numismática do Smithsonian que, recordando, possuía os dois únicos exemplares “legais” do s20 dólares de 1933, entregues a este pela Casa da Moeda de Filadélfia. Isto a fim de obter um parecer necessário aos procedimentos formais, o que foi ultimado, sem dificuldades, como favorável à exportação.
Completadas as formalidades burocráticas, em 29 de fevereiro a licença de exportação estava pronta e em 11 de março de 1944, o funcionário da embaixada do Egito retornou ao escritório da Casa da Moeda, a fim de retirar a moeda, acompanhada da referida licença.

Devido a uma fortuita e incrível coincidência temporal, a moeda adquirida pelo rei Farouk obtinha, desta forma, a permissão necessária para deixar legalmente o território dos EUA sendo que duas semanas mais tarde, tal procedimento teria sido certamente impossível.

Em 24 de março de 1944, depois de terem deixado a sede da Stack’s, o sagentes do serviço secreto providenciaram o sequestro da moeda que estava na posse de Berenstein e depois de uma primeira perícia realizada na Assay Office de Nova York, as duas moedas foram confirmadas como autênticas e, coisa ainda mais importante, obtiveram do joalheiro os elementos necessários para iniciarem a reconstruir um quadro detalhado de toda situação; quantos eram os exemplares conhecidos no mercado, quem os possuía pelas mãos de quem haviam passado.
Nas três semanas sucessivas, assistidos por alguns colegas, Strang e Haley interrogaram colecionadores, numismatas, comerciantes e funcionários da Casa da Moeda em diferentes localidades dos EUA, e em 14 de abril já estavam prontos para apresentar ao seu superior um primeiro balanço das investigações; um elenco dos 10 primeiros exemplares dos 20 dólares de 1933 já haviam aparecido no mercado até aquele momento (três dos quais haviam sido sequestrados pelos agentes no decurso das investigações e um exemplar levado ao Egito com regular licença de exportação) e mais uma concreta série de indícios que conduziam a Israel “Izzy” Switt, um grande joalheiro da Filadélfia, como sendo a fonte comum de todas as moedas.

Fim da 1ª Parte.

NOTA: No post a seguir, você encontra a 2ª e última parte desta fascinante história que reserva momentos de emoção e surpresa em seu desfecho dramático e conclusivo, onde as pessoas envolvidas tramam, conspiram e elaboram estratégias para escaparem ao controle do governo federal dos EUA. Você vai conhecer a surpreendente história de um comerciante que pagou uma fantástica soma por esta moeda e viajou para fora do país, esperando que algum colecionador o contatasse, para tentar vendê-la pelo triplo do que havia pago. Os agentes secretos do tesouro americano irão armar uma estratégia digna de um filme de espionagem para botar suas mãos nesta moeda. Será que irão conseguir ?

Não deixe de ler a segunda e última parte desta surpreendente e verídica história. Nela você ira conhecer o desenrolar final de “A incrível história de uma moeda que não deveria existir”. Tome fôlego, corra no baú do seu avô e quem sabe vc tira a sorte grande. Mas cuidado ! Não a mostre a qualquer um ! Caso voce seja daqueles que nasceu “virado prá lua”, escreva-me e por uam comisão de 15% te levo direto ao comprador na Europa que irá te pagar em dinheiro vivo. Mas não fale sobre o assunto a ninguém, pois o FBI ainda está à caça dos últioms exemplares que restam dessa raríssima moeda americana. Bom final de leitura na parte 2, a seguir !

Anúncios
Esse post foi publicado em Artigos numismáticos, Raridades. Bookmark o link permanente.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s