Introdução

A numismática (do grego noúmisma, moeda) é a ciência que estuda e descreve as moedas, medalhas e similares, sob o ponto de vista histórico, artístico e econômico.

Numismática e História.

A numismática nos ajuda a compreender o mundo em que vivemos relatando, com o auxílio da geografia, mitologia, arqueologia, paleografia e heráldica, a história de uma civilização, de uma nação ou de uma era.

São documentos históricos e artísticos, as variações das ligas metálicas, a difusão territorial e a introdução de novos valores monetários. Sob o ponto de vista histórico, a moeda é um reflexo material da política e da ideologia da autoridade que a emite. Através das imagens que contém são, talvez, a única recordação de um evento.
A numismática nasceu devido ao interesse do humano pelo antigo (Petrarca recolhia e estudava moedas romanas) e adquire seu caráter de colecionismo pela primeira vez com as obras de G. Budé (1514) e A. Fulvio (1517) para depois se transformar em ciência, aprofundando-se na catalogação das várias séries e estudando o quadro histórico em que a moeda se expressa (soberanos, artistas, gravadores, etc).
Fundamental pelo rigor e abrangente é a obra Doctrina Nummorum Veterun (1792-1798) de J.H.Eckhel. A criar um laço mais estreito entre numismática e história foi Th. Mommsen com sua obra Numismática Romana (1860). Na numismática medieval italiana, destacam-se os estudos de A.L.Muratori (1738-1742). Outras obras sistemáticas são A Moeda na Antiguidade de F.Lenormant e o Tratado sobre as Moedas Gregas e Romanas (1900-1923) de E.Babelon.
Na numismática brasileira, destacam-se nomes como Julius Meili, Souza Lobo, Nogueira da Gama, Lupércio Goçalves, Renato Berbert de Castro e Kurt Prober, entre outros que deram significativas contribuições ao seu estudo.

Teorias sobre o nome moeda.

O nome “moeda”, em tempos antigos, era associado à uma divindade que remonta às origens da Itália, conhecida por “Giunone Moneta”, com um templo na Arx ou cidadela do Campidoglio. Em 345 a.C. o templo foi aumentado e em 269 a.C. neste local nasceu a casa da moeda que cunhou os primeiros denários de prata.

Figura: Denário de prata com a efígie do imperador Nero (AD 54-68), cunhado em Roma aproximadamente entre 67 e 68 d.C. Diâmetro: 17mm, Peso: 3.52 gr.

Essa casa da moeda foi edificada no local da casa de Manlio (*1) que em 396 a.C., acordado pelo rumor dos gansos que eram criados em honra da divindade, tinha dado o alarme da aproximação dos Gauleses invasores. A casa da moeda foi colocada sob a proteção da Deusa Moneta, porque era ali que se tinha em custódia o tesouro e tudo que os romanos haviam obtido na conquista de Taranto e da Itália meridional. Assim, o nome da Deusa passou, na linguagem popular, ao produto da casa da moeda, posta sob sua proteção.

Uma segunda teoria diz respeito a um adjetivo que deriva do púnico e que corresponde a machanat ou am machanat, palavra encontrada nos Tetradracmas púnicos que circulavam na Sicília nos séculos IV e V a.C. e que significa acampamento, exército. Desta forma, moeda, segundo esta teoria, resulta ser a redução latina através da forma grega da citada palavra semítica.

Figura: Reis da Macedônia – Alexandre III “o Grande” – 336-323 a.C. – AR Tetradrachm (24mm, 17.08 g). “Amphipolis” mint. Struck circa 323-320 BC. Head of Herakles right, wearing lion skin / Zeus Aëtophoros seated left; in left field, Athena standing right. Price 109; Troxell Studies, Group G2. Good VF.

(*1) Marco Manlio Capitolino, foi um “patrizio” da República romana. Foi cônsul em 390 a.C. Era amigo de Lucio Valerio Potito, e pertencia a “gens Manlia”.

Definição de moeda.

A moeda é um instrumento de troca que estabelece o valor dos objetos trocados, representando a equivalência destes mesmos objetos.


Das moedas de contagem às primeiras moedas metálicas.

A moeda representa o rompimento do vínculo com o processo de trocas que a antecedeu. A primitiva forma de vida social se baseava num sistema simples de trocas onde a mercadoria trocada devia ser pesada a cada vez que se verificasse a intenção de uma negociação comercial. Porém, bastava que aumentassem as espécies de mercadorias trocadas, para surgirem as dificuldades de gerir este processo. Se, por exemplo, estivessem em jogo 10 comerciantes, cada um com um tipo de mercadoria diferente, por um simples raciocínio combinatório, as pesagens (avaliações) deveriam chegar a 90, pois cada um dos produtos poderia ser trocado com os outros 9 e refazendo o processo por 10 vezes, teríamos 9 x 10 = 90.
Se chegassem a 20 mercadorias, as avaliações chegariam ao absurdo número de 380, igual a 20 x 19. Desta forma se fez extremamente necessária a introdução de um elemento capaz de representar todas as mercadorias, de forma que pudesse agilizar as trocas.
Uma outra dificuldade ficava por conta da falta de interesse em determinada mercadoria, onde seu proprietário necessitava efetuar a troca por víveres, por exemplo. Se ninguém se interessasse por su mercadoria, um problema sério se apresentava. Mas a criação de um elemento de interesse comum, criava a possibilidade real de uma troca, bastando para tal estar de posse deste elemento. Este poderia, por exemplo, negociar seu produto em outra região, trocando-o pelo novo elemento introduzido, que lhe daria a possibilidade de obter víveres quando e onde pretendesse, por exemplo.

A moeda, como hoje a conhecemos, é o resultado de uma longa evolução. No início não havia moeda. Praticava-se o “scambio”, simples troca de mercadoria por mercadoria.
Algumas mercadorias, pela sua utilidade, passaram a ser mais procuradas e aceitas do que outras, passando a assumir a função de moeda, circulando como elemento intermediário na troca por outros produtos e servindo para avaliar-lhes o valor. Eram as chamadas “moedas-mercadoria”.
O gado e o sal eram bem aceitos como instrumento de troca e acabaram por deixar registros em nosso vocabulário. Até hoje, empregamos palavras como pecúnia (dinheiro) e pecúlio (dinheiro acumulado), derivadas da palavra latina “pecus” (gado). A palavra capital (patrimônio) vem do latim “capita” (cabeça). A palavra salário (remuneração, normalmente em dinheiro, devida pelo empregador em face do serviço do empregado) tem como origem a utilização do sal que na antiga Roma servia como pagamento de serviços prestados.
Com o passar do tempo, tais mercadorias tornaram-se um inconveniente às transações comerciais, em virtude da oscilação de seu valor, mas principalmente pelo fato de não serem fracionáveis e também por serem facilmente perecíveis, não permitindo o acúmulo de riquezas.
Quando o homem descobriu o metal, logo passou a utilizá-lo para fabricar seus utensílios e armas, anteriormente feitos de pedra.
Por apresentar vantagens como a possibilidade de entesouramento, divisibilidade, raridade, facilidade de transporte e beleza, o metal impôs-se como principal padrão de valor. Era trocado sob as mais diversas formas. A princípio, em seu estado natural, depois sob a forma de barras e, ainda, sob a forma de objetos, como anéis, braceletes, etc.
Os utensílios de metal passaram a ser mercadorias muito apreciadas. Sua produção exigia, além do domínio das técnicas de fundição, o conhecimento dos locais onde o metal poderia ser encontrado. Essa produção, naturalmente, não estava ao pleno alcance de todos. A valorização, cada vez maior, dos utensílios, levou à sua utilização como moeda e ao aparecimento de réplicas de objetos metálicos, em pequenas dimensões, a circularem como dinheiro, como as moedas faca e chave, encontradas no Oriente, e do talento, moeda de cobre ou bronze, com o formato de pele de animal, encontradas na Grécia e em Chipre.
Foram os sumérios (habitantes da Mesopotâmia que em tempos remotos haviam inventado a escrita) que, com seus sacerdotes, se encarregaram de escolher o metal como o meio mais conveniente a servir de intermediário neste processo de troca. Os metais escolhidos foram o ouro (sagrado disco solar) e a prata (consagrada à lua). A relação entre os dois metais foi estabelecido de 1 a 13⅓, correspondendo, ao que parece, à relação astronômica entre o ano solar e os meses lunares.
Sendo os pioneiros no desenvolvimento da série infinita dos números, os sumérios adotaram como base de sua avaliação o número 12 – aparentemente menos cômodo que 10, que corresponde aos dedos das mãos – haja vista ser este divisível por 3 e 4. Além disso, a escopo de materializar o conceito abstrato do número, foi adotada como base a libra de prata que, em seguida foi chamada com o nome latinizado de “mina”. O seu múltiplo foi o “talento”, equivalente a 60 libras de prata. A “mina” foi dividida em 60 “ciclos” onde cada um correspondia a 180 gramas de trigo.
Os metais preciosos ficavam sob custódia dos templos onde os sacerdotes determinavam as importantes e delicadas operações que regulavam as trocas de mercadorias e aluguéis, recuperando inclusive a parte reservada às autoridades. Porém tal conceito de dinheiro tinha um caráter abstrato e aos “talentos”, às “minas” e aos “ciclos” não correspondiam as relativas moedas e portanto era lógico sensação de “falta de recursos próprios” que experimentavam os negociantes e a população em geral por não possuírem, materialmente, o valor do seu produto.

Os Fenícios efetuavam trocas com os índios da África ocidental, recorrendo a um sistema mais tangível e imediato. Colocavam na areia da praia aquilo que pretendiam oferecer e retiravam-se para os seus navios. Os indígenas observavam aquilo que lhes era oferecido e colocavam junto à cada tipo de mercadoria, a quantidade de ouro em pó que acreditavam ser adequado à troca e se retiravam. Se os Fenícios estivessem de acordo, pegavam o ouro e a troca era concluída, caso contrário a operação vinha repetida até quando esta resultasse de comum acordo.

A primeira solução a esta natural aspiração encontrou sua aplicação na Babilônia onde se faz referimento a pesos fixos de prata, substituídos depois por pesos de cobre e em seguida de bronze. Mas foi na Grécia que encontramos a primeira moeda, mesmo que esta ainda se concretizasse na estranha forma de “espetos de ferro” , longos mais de um metro e que eram dados inicialmente aos juízes, como forma de compensação pelos seus serviços prestados em juízo. Cada um destes “espetos” denominados “obelos” davam direito a retirar um pedaço de carne da vítima imolada. O mesmo compenso dizia respeito aos simples cidadãos quando estes “espetos” lhes era concedido por ocasiões de festas e cerimônias.

Foi com a finalidade de exercer a função de meio de troca comercial que, no século VII a.C. nasce, na Lídia, a moeda. Entre 629 e 600 a.C. aparecem os primeiros discos metálicos de várias dimensões, sobre os quais o Rei havia ordenado que se colocasse o próprio sigilo. Estes discos eram de electron, isto é uma liga natural de ouro e prata que em pouco tempo foram substituídos por discos de ouro puro. Isto aconteceu no VI século a.C. sob o reinado de Creso (561 – 546 a.C.), famoso por sua imensa riqueza. Este fenômeno foi, certamente, o resultado de um processo que durou séculos e, seguramente, não se tratou de uma invenção casual. Com o advento da moeda como instrumento intermediador da troca, foram criadas as primeiras bases da moderna sociedade industrial, permitindo ao homem liberar-se do milenar comércio da simples troca e construir a economia como a conhecemos hoje.

Presume-se que há pelo menos 35 mil anos, instrumentos de caça e pesca e mesmo as rudimentares armas de guerra, deviam se prestar a objetos de troca e possuírem um “preço” estabelecido através de uma prática comercial que, apesar de primitiva aos nossos olhos, era eficiente para a sobrevivência dos grupos humanos que vagavam pelo planeta. O desenvolvimento da pecuária e da agricultura acabou por relegar as atividades de caça e pesca a uma função secundária e, desta forma, outros bens passaram a regular as trocas.
Entre os povos pastores, o objeto principal de referência de troca, não podia ser outro que a ovelha enquanto aqueles que se dedicavam a agricultura e à pecuária, usavam o boi como moeda. Era importante que estes animais possuíssem uma função de medida comparativa de valor, de forma a servir como instrumento de troca numa economia que era fundamentada essencialmente na atividade agrícola.

Com o lento progresso do comércio e do tráfico e também devido ao desenvolvimento social dos vários povos existentes sobre a Terra, desenvolveu-se paulatinamente um sistema de medidas que acabou por criar uma unidade de peso que passou a agir como “moeda”, intermediando trocas e passando a associar, aos bens materiais, um determinado valor. Através de sucessivas transformações, diversos sistemas metrológicos foram criados sendo aquele duodecimal, por derivação sexagesimal, o mais usado e de clara origem religiosa, em uso na Babilônia.

O sistema sexagesimal ou babilônico que ao que tudo indica remonta a 3000 a.C., é considerado finito ou seja, completo e derivado de base científica como o nosso sistema métrico decimal. Os outros sistemas metrológicos que surgiram posteriormente e que se impuseram sobre os outros como aquele de Fidone, de Solone, dos egípcios e aquele dos romanos, faziam uso de grandezas que não derivavam umas das outras, mas sim dos aspectos da vida econômica.
O sistema babilônico se baseava na medida do tempo. O ano de 360 dias correspondia ao giro de 360 graus. Dois pontos distintos de uma circunferência e que delimitam um arco correspondente à sexta parte da circunferência, determinam uma corda igual ao raio, e a sexta parte do ano correspondia a 60 dias. Desta forma, os números 6 e 60 derivam da medida do tempo e da geometria. Mas 60 tambem é a medida de cada um dos três angulos do triângulo equilátero, construído com os raios da circunferência e a corda que subentende um arco de medida sexagesimal igual a 60. Além disso, uma hora é dividida em 60 minutos e um minuto, em 60 segundos. Com um círculo dividido em 24 partes, cada uma correspondendo a uma hora, temos um total de 1440 minutos que correspondem a 360 graus. Desta forma, um grau corresponde a 4 minutos. Enquanto o sistema decimal trabalha com múltiplos e submúltiplos de 10, aquele sexagesimal trabalha com múltiplos e submúltiplos de 60.

Porém se serviam também do sistema decimal que por diversos motivos não teve ampla e duradoura afirmação. Todavia, frequentemente vimos os dois sistemas sendo empregados contemporaneamente, um para os múltiplos e outro para os submúltiplos e ainda um para certo tipo de bens e outro para outros bens, deixando claro que também a conveniência e os aspectos da vida econômica influenciavam, como ainda o fazem, a determinação dos padrões de troca.

No sistema monetário do Brasil, os 960 réis atendem tanto ao sistema sexagesimal (múltiplo de 60) quanto àquele decimal (múltiplo de 10). Outros valores como 20, 40; 80; 160; 320 (uma pataca) e 640 réis, formam uma progressão geométrica de razão igual a 2, onde o primeiro termo é 10 (este servindo apenas de referência ao sistema decimal). Porém não pertencem ao sistema sexagesimal, pois não são múltiplos de 60. A um certo ponto do processo que deu origem a estas moedas, criou-se um valor (960) que, apesar de múltiplo de 10, interrompe a progressão para tornar-se também muúltiplo de 60 (sistema sexagesimal). Uma teoria plausível sobre esta mudança ,talvez tenha suas raízes nas razões religiosas que levaram os babilônicos a optarem por este sistema.
Mas também constatamos padrões e séries que não obedecem a um e, por vezes, a nenhum dos dois sistemas como é o caso dos 75 réis da série de moedas de prata (75; 150; 300 e 600 réis) cunhadas na Colônia, durante o reinado de D. José I e que ficou conhecida como série dos “J” por terem incisas em seu anverso esta letra fazendo clara referência ao soberano. Apesar dos valores 150; 300 e 600 atenderem perfeitamente aos dois sistemas, o valor 75, foge a este padrão Também as moedas cunhadas em cobre nos valores de 37½ e 75 durante o reinado de D. João VI, fogem a estes padrões metrológicos, mas como foi dito anteriormente, alguns padrões monetários não faziam uso destes sistemas ou de grandezas que derivavam umas das outras, mas sim baseados nos aspectos da vida econômica.

No Brasil, em 1750, D. José proibiu a circulação de moedas de ouro nas regiões de mineração, considerando que as transações comerciais naquelas comarcas poderiam ser realizadas com barras de ouro marcadas e ouro em pó. Para atender as necessidades do comércio miúdo na região, ordenou que as Casas da Moeda do Rio de Janeiro e da Bahia cunhassem moedas provinciais de prata e cobre.
De 1752 a 1774, estas Casas da Moeda cunharam moedas de prata para Minas Gerais (Provisão de 13/03/1752) para facilitar a troca do ouro não “quintado”, tendo em vista que os preços nas regiões das minas eram estabelecidos em termos de oitavas e de seus submúltiplos, valendo a oitava de ouro (3,586 gr) não “quintado”, 1.200 réis. São as moedas de prata da série “J” (600, 300, 150 e 75) correspondentes a 16, 8, 4 e 2 vinténs de ouro. O vintém-de-ouro equivalia a 37½ réis.
Para evitar confusão com as moedas provinciais de 640, 320, 160 e 80 réis, em função da proximidade dos valores, nas novas moedas, o escudo com as marcas de Portugal foi substituído por um “J” encimado por uma coroa.
D. João VI através da Lei de 10/04/1809 equiparou o valor dessas moedas às de outras de igual peso, passando a valer 640, 320, 160 e 80 réis. A partir de 1818 a Casa da Moeda de Minas cunhou em cobre os valores 37½ e 75 réis para circulação local (Aviso de 16/06/1818).

Em 1752, entretanto, atendendo a sugestão do governador da capitania de Minas Gerais, determinou que fossem cunhadas também moedas de prata com os valores de 600, 300, 150 e 75 réis,
Mesmo assim, tais valores guardam entre si uma forte ligação com o sistema sexagesimal e o decimal, por estarem ligados aos divisores primos de 10 e de 60.

Em um determinado estágio, certamente muito remoto, do sistema metrológico, a determinação dos pesos se baseou em uma unidade menor e fornecida pela própria natureza como o grão de trigo na Europa ou a semente de liquirizia na India.
Nem sempre e não necessariamente, como dito, a troca entre vários bens devia acontecer usando materialmente aquele determinado bem que fazia as vezes de moeda e ao mesmo tempo de peso. Um determinado peso (quantidade) de grãos de trigo ou de qualquer outro cereal podia servir de intermediário na troca entre bens diferentes, servindo de mediador como forma de complementar um ou outro.

Em respeito a precedentes etapas da evolução da humanidade, foi relativamente fácil associar a moeda de “conto” com uma unidade de referência monetária, através das sucessivas trocas de bens que se podiam pesar. Neste estágio do desenvolvimento da moeda, algumas unidades de medida começaram a se impor; entre elas o talento que entre vários povos do Médio Oriente e depois na Grécia e suas colônias foi, de início, medida de peso e, também, moeda de “conto”. Servia, ao mesmo tempo, como peso e moeda de referência, e constituia-se como um meio prático, possibilitando que se fizesse uma comparação na hora da troca dos vários bens e, em seguida, para se poder determinar um valor para um determinado bem.
Um talento de grãos de trigo por 2 talentos de grãos de cevada ou alguns talentos de cevada por uma ovelha. Assim, com o tempo, talentos de bronze por um boi e a um certo ponto o metal passou a fazer parte das trocas entre os diversos bens , entrando definitivamente na vida dos homens.
Em seguida o talento passou a fazer referência também aos metais preciosos, ao ouro, à prata e ao electro.

Figura: Moeda de ouro da Ásia Menor – Lydia – Creso (561 – 546 a.C.)

Na Grécia, o nome da moeda base não varou muito daquele que indicava o primitivo “espeto”, onde “obelos” se transformou em “obolos”, sendo o “obolo de prata” a unidade monetária grega que, agrupada em um número de 6, dá origem ao dracma. Os pesos do dracma variam de acordo com a época, situando-se entre os valores 4,3 a 4,0 gr no I século a.C.. O dracma corresponde a centésima parte da “mina” dos sumérios.


A esta transformação dos processos de troca, correspondeu também a uma profunda transformação na vida social das civilizações. Uma fase inicial praticamente agrícola, se sucedeu uma vida comercial sempre mais intensa, fazendo com que as pessoas se transferissem dos campos para os aglomerados populacionais que se constituiam nas bases das futuras cidades. Se a civilização dos tempos de Homero evidenciava a importância de um homem de acordo com sua propriedade agrícola e através do número de bois que possuia, num futuro próximo o rebanho iria ceder seu posto de supremacia àquele meio que permitia a obtenção de tudo aquilo que se desejasse, a moeda, que permitiu aos comerciantes a troca de bens em regiões distantes entre si onde, de uma forma cômoda, podiam transportar o instrumento que passou a substituir a simples troca.

A título de curiosidade, nos tempos da Grécia antiga (600 a.C.), o valor de um escravo era fixado em 100 cabeças de gado, enquanto o preço de uma mulher podia variar entre 4 e 20 bois, segundo suas características pessoais. O correspondente a uma boa armadura girava em torno a 20 bois.
Hoje, é fácil imaginar como, naquela época, transportar uma grande quantidade de moedas era notavelmente incômodo e perigoso. Desta forma, com o tempo, difundiu-se a “carta de crédito”, onde o uso, por exemplo, poderia permitir a um pai mandar seu filho estudar em Atenas, fazendo-o acompanhar de um documento escrito onde se empenhava em reconhecer os débitos que o filho contrairia limitado a uma determinada soma.
Desta forma, a idéia abstrata de dinheiro dos Sumérios, passou através dos Babilônicos e da Lídia, até a realização efetiva da moeda.

Portugal e Espanha.

A Península Ibérica.

A Península Ibérica (*2) constitue a extremidade ocidental do sul do continente europeu, extendendo-se por 582.925 km², contando atualmente com cerca 55 milhões de habitantes. É ocupada por três estados, Portugal, Espanha e Andorra, e mais o território britânico de Gibraltar. Durante a época dos descobrimentos tornou-se a principal potência mundial, devido à supremacia de Portugal e Espanha em relação aos outros territórios.
Os confins da Peninsula Ibérica se constituem praticamente por 90% (cerca de 4.100 km) de costa maritima e os restantes 10% pela cadeia dos Pirineus.
Deve-se aos gregos o toponimo Ibéria, já citado por Heródoto no século V a.C. como indicativo de povos habitantes vizinhos ao rio Iber (talvez Ebro). Foram os romanos a latinizar o nome para Hiberia, todavia denominando suas provincias ibéricas com o nome Hispania, utilizando o toponimo cartagines Span ou Spania, talvez como significado de oculto para indicar um pais escondido ou remoto.
Formando quase um trapézio, a Península Ibérica liga-se ao continente europeu pelo ístmo constituído pela cordilheira dos Pireneus, sendo rodeada a norte, oeste e parte do sul pelo oceano Atlântico e ao restante da costa sul pelo mar Mediterrâneo.
Com uma altitude média bastante elevada, apresenta predomínio de planaltos que estão rodeados de cadeias de montanhas e que são atravessados pelos principais rios. Os mais importantes são o rio Tejo, o rio Douro e o rio Guadiana, que têm a parte terminal do seu curso em Portugal, desaguando, tal como o rio Guadalquivir no oceano Atlântico, e o rio Ebro, que, por sua vez, desagua no mar Mediterrâneo.
As elevações mais importantes são a Cordilheira Cantábrica, no Norte, a serra Nevada e a serra Morena, no Sul, e ainda a serra de Guadarrama, na Cordilheira Central, de que a serra da Estrela é o prolongamento ocidental. Densamente povoada no litoral, a Península Ibérica tem fraca densidade populacional nas regiões interiores.

(*2) Uma península, do latim paene (quase) e insula (ilha), é uma formação geográfica consistindo de uma extensão de terra de uma região maior que é cercada de água por quase todos os lados, com exceção do pedaço de terra que a liga com a região maior, chamado istmo.Por exemplo, diz-se Península Ibérica para designar a região constituída pela Espanha e por Portugal, ligada à Europa pelos Pireneus. Também podemos dizer que uma península é um braço de terra que avança pelo mar, ligando-se ao resto do continente pelo chamado istmo.

IBERIA: Nome grego para designar a região.

HISPANIA: Nome romano para designar a região.

Por volta de 10.000 a.C. a Península Ibérica era habitada por povos autóctones que vieram a ser conhecidos como Iberos . Entre eles encontravam-se os Tartessos.
Quatro mil anos depois, a região passou a ser habitada por um povo indo-europeu, os Celtas que coexistiram pacificamente com as tribos Iberas até ao ponto de se fundirem, dando origem aos Celtiberos que se subdividiram em vários povos, como os Lusitanos (considerados pelos historiadores como os antecessores dos portugueses), os Calaicos ou Gallaeci e os Cónios, entre outras menos significativas, tais como os Brácaros, Célticos, Coelernos, Equesos, Gróvios, Interamici, Leunos, Luancos, Límicos, Narbasos, Nemetatos, Pésures, Quaquernos, Seurbos, Tamagani, Taporos, Zoelas, Turodos. Influências menores tiveram os Gregos e os Fenícios-Cartagineses , com pequenas feitorias comerciais costeiras semi-permanentes.

Iberos – Habitaram a península Ibérica na antiguidade. A respeito da sua origem, há duas teorias:

  • Uma nos relata que os Iberos eram os habitantes originais da Europa ocidental e os criadores da grande cultura megalítica que teve início em Portugal, no fim do VI milénio a.C., e se espalhou pela península Ibérica, França, Inglaterra, Irlanda e Dinamarca, até meados do II milénio a. C. Essa teoria está apoiada em evidências arqueológicas, genéticas e linguísticas. A ser verdade esta teoria, os Iberos teriam sido o mesmo povo dominado pelos Celtas no primeiro milénio a.C., na Irlanda, Grã-Bretanha e em França. A própria Enciclopédia Britânica define os ingleses como descendentes dos Iberos e dos Celtas.

Alternativamente outra teoria sugere que eram originários do Norte da África, de onde emigraram provavelmente no século VI a.C. para a península Ibérica (à qual cederam o nome), onde ocuparam uma faixa de terra entre a Andaluzia e o Languedoc (na França). Foram parceiros comerciais dos Fenícios, os quais fundaram dentro do território dos Iberos várias colônias comerciais, como Cádiz, Eivíssia e Empúries. Foram assimilados pelos Celtas no século I a.C. formando o povo conhecido como Celtiberos.

Os Iberos eram um povo pré-histórico que vivia no Sul e no Este do território que mais tarde tomou o nome de Península Ibérica. As ondas de emigração de povos Célticos que desde o século VIII até ao século VI a. C. entraram em massa no noroeste e zona centro da actual Espanha, penetraram também em Portugal e Galiza, mas deixaram intactos os povos indígenas da Idade do Bronze Ibérica no Sul e Este da península.
Os geógrafos gregos deram o nome de Ibéria, provavelmente derivado do rio Ebro (Iberus), a todas as tribos instaladas na costa sueste, mas que no tempo do historiador grego Herodotus (500 a.C.), é aplicado a todos os povos entre os rios Ebro e Huelva, que estavam provavelmente ligados linguisticamente e cuja cultura era distinta dos povos do Norte e do Oeste. Havia no entanto áreas intermédias entre os povos Célticos e Iberos, como as tribos Celtiberas do noroeste da Meseta Central e na Catalunha e Aragão.

Das tribos Iberas mencionadas pelos autores clássicos, os Bastetanos eram territorialmente os mais importantes e ocupavam a região de Almeria e as zonas montanhosas da região de Granada. As tribos a Oeste dos Bastetanos eram usualmente agrupadas como “Tartessos”, derivado de Tartéssia que era o nome que os gregos davam à região.

Os Turdetanos do vale do rio Guadalquivir eram os mais poderosos deste grupo. Culturalmente as tribos do noroeste e da costa valenciana eram fortemente influenciadas pelas colónias gregas de Emporium ( a moderna Ampúrias ) e na região de Alicante a influência era das colónias fenícias de Malaca ( Malága ), Sexi ( Almuñeca ), e Abdera ( Adra ), que passaram depois para os cartagineses.

Na costa este as tribos Iberas parecem ter estado agrupadas em cidades-estado independentes. No sul houve monarquias, e o tesouro de El Carambolo, perto de Sevilha, parece ter estado na origem da lenda de Tartessos. Em santuários religiosos encontraram-se estatuetas de bronze e terra-cota, especialmente nas regiões montanhosas. Há uma grande variedade de cerâmica de distintos estilos ibéricos.
Foi encontrada cerâmica ibérica no sul da França, Sardenha, Sicília, e África e eram frequentes as importações gregas . A esplêndida Dama de Elche, um busto com características que mostram forte influência clássica grega. A economia Ibérica tinha uma agricultura rica , forte exploração mineira e uma metalurgia desenvolvida.

A língua Ibérica era uma língua não Indo-Europeia, e continuou a ser falada durante a ocupação romana. Ao longo da costa Este utilizou-se uma escrita Ibérica, um sistema de 28 sílabas e caracteres alfabéticos, alguns derivados dos sistemas fenício e grego, mas de origem desconhecida. Ainda sobrevivem muitas inscrições dessa escrita, mas poucas palavras são compreendidas, excepto alguns nomes de locais e cidades do III século, encontradas em moedas. Os Iberos conservaram a sua escrita durante a conquista romana, quando se começou a utilizar o alfabeto latino. Ainda que inicialmente se pensou que a língua Vasca era descendente do Ibero, hoje considera-se que eram línguas separadas.


Tartessos
– (Τάρτησσος) era o nome pelo qual os gregos conheciam a primeira civilização do Ocidente. Herdeira da cultura megalítica andaluza, que se desenvolveu no triângulo formado pelas actuais cidades de Huelva, Sevilha e São Fernando (Cádiz), pela costa sudoeste da Península Ibérica, teve por linha central o rio Tartessos, que os romanos chamaram logo de Baetis e os árabes Guadalquivir. Os tartessos desenvolveram uma língua e escrita distinta a dos povos vizinhos, e tiveram influências culturais de egípcios e fenícios.

Não é certo que tenha existido uma cidade com este nome, dado que ainda não se encontrou sua localização, ainda que estejam perfeitamente documentados outros povoados ao longo do vale do Guadalquivir, território de expansão da civilização dos Tartessos. A sua provável capital talvez fosse Turpa, no lugar que hoje ocupa o porto de Santa Maria, na desembocadura do Guadalete, de cuja raíz “tr” sairiam todas as formas de Tartessos. Provavelmente, a cidade e a civilização já existiam antes de 1000 a.C., dedicadas ao comércio, a metalurgia e a pesca. A posterior chegada dos fenícios e seu establecimento em Gadir (actual Cádiz), talvez tenha estimulado o seu imperialismo sobre as terras e cidades ao seu redor, a intensificação da exportação das minas de cobre e prata (Os Tartessos converteram-se nos principais provedores de bronze e prata do Mediterrâneo), assim como a navegação até às ilhas Casitérides (Ilhas Britânicas ou mais concretamente as ilhas de Scilly), de onde importaram o estanho necessário para a produção de bronze, ainda que também o obtivessem pela lavagem de areias que continham estanho.

A sua forma de governo era a monarquia, e possuiam leis escritas em tábuas de bronze. Heródoto fala de 6.000 anos.
No século VI a.C.,Tartessos desaparece abruptamente da História, seguramente varrida por Cartago que, depois da batalha de Alalia, a fez pagar assim sua aliança com os gregos. Outros dizem que foi refundada, sob condições pouco claras, com o nombre de Carpia. Os romanos chamaram à ampla Baia de Cádiz Tartessius Sinus, mas o reino já não existia mais.

Celtas – Eram um povo (ou grupo de povos) da família linguística indo-européia que se espalhou pela maior parte da Europa a partir do II milênio a.C., tendo maioria populacional no norte da Europa ocidental até o advento do Império Romano. As tribos célticas ocuparam a maior parte do continente europeu, desde a Península Ibérica até a Anatólia. A maior parte dos celtas foi conquistada, subjugada, e mais tarde integrada pelos Romanos.
Existiam diversos grupos celtas compostos de várias tribos, entre eles os Bretões, os Gauleses, os Escotos, os Eburões, os Batavos, os Belgas, os Gálatas, os Trinovantes, entre outros. Muitos destes grupos deram origem aos nomes das províncias romanas na Europa que mais tarde batizaram alguns dos estados-nações medievais e modernos da Europa.

Os celtas são considerados os introdutores da metalurgia do ferro (Idade do Ferro) na Europa (culturas de Hallstatt e La Tène), bem como das calças na indumentária masculina (embora essas sejam provavelmente originárias das estepes asiáticas). Do ponto de vista da independência política, grupos celtas perpetuaram-se até pelo menos o século XVII na Irlanda, o país em que melhor se preservaram as tradições de origem celta. Outras regiões européias que também se identificam com a cultura celta são o País de Gales (uma entidade subnacional do Reino Unido). A Cornualha (Reino Unido), a Bretanha (França), o norte de Portugal e a Galiza também são regiões onde resquícios das línguas e costumes celtas são encontrados até hoje.
A influência cultural celta jamais desapareceu, e tem até mesmo experimentado um ciclo de expansão em sua antiga zona de influência.

Celtiberos – São o povo que resultou, segundo alguns autores, da fusão das culturas do povo Céltico e a do povo Ibero, nativo da Península Ibérica. Habitavam a Península Ibérica, nas regiões montanhosas onde nascem os rios Douro, Tejo e Guadiana, desde o século VI a.C.. Não há, contudo, unanimidade quanto à origem destes povos entre os historiadores. Para outros autores, tratar-se-ia de um povo Celta que adoptou costumes e tradições iberas. Estavam organizados em gens, uma espécie de clã familiar que ligava as tribos, embora cada uma destas fosse autónoma, numa espécie de federação. Esta organização social e a sua natural belicosidade, permitiram a estes povos resistir tenazmente aos invasores Romanos até cerca de 133 a.C., com a Queda de Numância (antiga cidade da Península Ibérica, perto de Sória nas margens do Rio Douro. Fundada no início do século III a.C., foi destruída pelas tropas romanas de Cipião Emiliano em 133 a.C., após um cerco de 8 meses que pôs fim a uma feroz resistência de 20 anos aos invasores). Deste povo desenvolveram-se, na parte ocidental da Península, os Lusitanos, considerados pelos historiadores como os antecessores dos portugueses, que viriam ser subjugados ao Império Romano no século II a.C..

A invasão romana da Península Ibérica

A partir do final do século IV a.C. registrou-se a ascensão de uma nova potência no Mediterrâneo Ocidental: a República Romana. A partir de então, durante três séculos, Roma constituiu o seu poderio, inicialmente nos territórios da península Ibérica e, em seguida, pelo Mediterrâneo Oriental e Ocidental, no Norte da África, até alcançar a Europa Central e a do Leste.

Cartago versus Roma

A invasão romana da península Ibérica iniciou-se no contexto da Segunda Guerra Púnica (218-201 a.C.), quando as legiões romanas, sob o comando do cônsul Cneio Cornélio Cipião, foram conduzidas taticamente ao local , a fim de atacar pela retaguarda os domínios de Cartago na região.

De fato, a influência cartaginesa na península Ibérica possibilitava à Cartago um expressivo reforço, tanto de suprimentos quanto de homens. A estratégia do Senado romano visava, desse modo, o enfraquecimento das forças cartaginesas, afastando os seus exércitos da Península Itálica.

O primeiro combate importante entre Cartagineses e Romanos ocorreu em Cissa (218 a.C.), provavelmente próximo a Tarraco (Tarragona), embora os historiadores tenham tentado identificá-la com Guissona, na actual província de Lérida. Os Cartagineses, sob o comando de Hannon, foram derrotados pelas forças romanas sob o comando do próprio Cneio Cipião. O caudilho dos Ilergetes, Indíbil, que combatia aliado aos Cartagineses, teria sido então capturado. Não obstante, quando a vitória de Cneio parecia concretizada, Asdrúbal Barca veio em socorro dos cartagineses, com reforços que dispersaram os romanos sem, no entanto, os derrotar. Assim, as forças opostas regressaram às suas bases militares — os Cartagineses à Cartago Nova (actual Cartagena) e os Romanos à Tarraco — e somente no ano seguinte a frota de Cneio Cornélio Cipião vence Asdrúbal Barca na foz do rio Ebro. Pouco depois chegaram reforços da Itália conduzidos por Públio Cipião, permitindo o avanço dos Romanos em direcção a Sagunto.

Atribui-se a Cneio e Públio a fortificação de Tarraco e o estabelecimento de um porto militar. A muralha da cidade foi provavelmente construída sobre a anterior muralha ciclópica, já que nela se observam algumas marcas de trabalho da pedra tipicamente ibéricas.
Ainda no ano de 216 a.C. há registo de combates de Cneio e Públio contra os iberos, provavelmente oriundos de tribos ao Sul do Ebro, embora sem grandes consequências para Roma. Já no ano seguinte, os Cartagineses receberam reforços, encabeçados por Himilcão, dando-se novo combate nas margens rio Ebro, ao que tudo indica, próximo de Amposta ou Sant Carles, naquela que ficou conhecida como a batalha de Hibera, ou Ibera. Para prejuízo de Cartago, deste confronto saíram vencedores os Romanos.

A rebelião de Sifax (aliado de Roma) em 214 a.C. na Numídia (Argel e Orán) obrigou Asdrúbal a regressar à África com as suas melhores tropas, deixando o caminho livre para a progressão romana. Asdrúbal Barca, já em África, conseguiu o apoio de Gala (outro rei númida) senhor da região de Constantina e, com a ajuda deste e do seu filho (Masinisa), subjulgou Sifax. Regressou em 211 a.C. à península fazendo-se acompanhar de Masinisa e dos seus guerreiros númidas.

Entre 214 e 211 a.C., Cneio e Público regressaram ao Ebro. Sabe-se que em 211 a.C. os Cipiões incluíam no seu exército um forte contingente de milhares de mercenários celtiberos. Estes actuavam, frequentemente, como soldados de fortuna.

As forças cartaginesas estruturaram-se em três exércitos, comandados respectivamente pelos irmãos Barca (Asdrúbal e Magão) e ainda por outro Asdrúbal, filho do comandante cartaginês Aníbal Giscão, morto durante a Primeira Guerra Púnica. Do lado oposto, os romanos organizaram-se em três grupos, comandados por Cneio, Públio, e ainda por Tito Fonteio. Asdrúbal Giscão e Magão Barca, apoiados pelo númida Masinisa, conseguem derrotar Públio Cipião, matando-o. Cneio Cipião, em pleno combate a 211 a.C., assiste à deserção dos mercenários celtiberos — a quem Asdrúbal Barca ofereceu uma soma maior daquela paga por Roma — e é obrigado a retirar-se; morre durante a retirada, deixando os Cartagineses aptos a atravessar o rio Ebro, e só puderam ser contidos graças à intervenção de Gaio Márcio Séptimo, eleito general pelas tropas. O cenário destes combates é, porém, incerto, embora sabendo-se que Indíbil combatia novamente do lado dos cartagineses.
No ano seguinte, 210 a.C., é enviada uma expedição dirigida por Cláudio Nerão com vista à captura de Asdrúbal Barca; não obstante, Cláudio nao manteve a sua palavra e fugiu desonrosamente. O Senado insistiu, e enviou novo exército ao rio Ebro, para conter o avanço das tropas cartaginesas em direção à Itália. O líder desta nova força foi o célebre Cipião Africano, filho do general de mesmo nome, morto em combate em 211 a.C.. Cipião fazia-se acompanhar do pró-consul Marco Silano (que deveria suceder a Cláudio Nerão) e do conselheiro Caio Lelio, chefe de esquadra. À sua chegada, os exércitos cartagineses encontravam-se instalados da seguinte forma: aquele dirigido por Asdrúbal Barca encontrava-se próximo da nascente do rio Tejo; o exército de Asdrúbal Giscão na região da futura Lusitânia, próximo à atual cidade de Lisboa; o exército de Magão encontrava-se na zona do estreito de Gibraltar. Cipião, aparentemente desprezando a importância da região do Ebro, atacou directamente Cartago Nova por terra e por mar. A capital púnica peninsular, cuja guarnição insuficiente era dirigida por outro Magão, foi obrigada a ceder sendo ocupada pelos Romanos. Rapidamente, retorna Cipião a Tarraco antes que Asdrúbal atingisse as desguarnecidas linhas do Ebro.

Esta operação marcou o início da submissão de grande parte da Hispânia Ulterior. Cipião soube convencer vários caudilhos ibéricos, até então aliados de Cartago, como Edecão (em conflito com Cartago desde que a sua mulher e filhos foram tomados como reféns), Indíbel (pela mesma razão), e Mandónio (declarado inimigo por Asdrúbal Barca).

No Inverno de 209 a 208 a.C., Cipião avançou em direcção a Sul, chocando-se contra o exército de Asdrúbal Barca que por sua vez se deslocava para Norte, próximo a Santo Tomé (Jaén), na aldeia de Baecula, onde ocorreu a batalha de mesmo nome. Não obstante Cipião reclama-se para si a vitória, Asdrúbal Barca prosseguiu o avanço em direcção ao Norte com a maior parte das suas tropas, atingindo o sopé das montanhas dos Pirinéus. Sabe-se que, desta forma, Asdrúbal cruzou os Pirinéus passando pelo região basca, provavelmente na tentativa de conseguir uma aliança com estes, mesmo porque os bascos não dispunham de grandes meios de oposição à força cartaginesa. Asdrúbal acampou no Sul da Gália entrando na Itália em 209 a.C.. No ano seguinte Magão transladou as suas tropas para as Baleares e Asdrúbal Giscão manteve-se na Lusitânia.
Em 207 a.C., os cartagineses reorganizados e com novos reforços procedentes da África e dirigos por Hannon, conseguiram recuperar a maior parte do Sul da península. Após a submissão desta zona por Hannon, este uniu-se a Asdrúbal Giscão na região, e Magão regressou à península. Pouco depois, as forças de Hannon e Magão foram derrotadas pelo exército romano a mando de Marco Silano, de onde resultou a captura de Hannon e a retirada de Giscão e Magão para as principais praças-fortes até receberem novos reforços vindos da África (206 a.C.). Entretanto recrutaram contingenes de indígenas e confrontaram-se com os Romanos na batalha de Ilipa (na zona da atual Alcalá del Río), na província de Sevilha. Nesta batalha vence Cipião sem sombra de dúvida, obrigando nova retirada de Magão e Asdrúbal para Gades. Cipião tornara-se assim dono de todo o sul peninsular, e pôde cruzar a África onde se encontrou com o rei númida Sifax, que já o havia visitado na Hispânia.
Aproveitando-se de uma convalescença de Cipião, algumas unidades do exército amotinaram-se exigindo os salários em atraso; por sua vez, a oportunidade foi aproveitada pelos Ilergetes (a mando de Indíbil) e pelos Ausetanos (a mando de Mandónio) que iniciariam uma rebelião dirigida, sobretudo, aos pró-cônsules L. Lentulo e L. Manlio. Cipião soube conter o motim, colocando um ponto final na revolta dos ibéricos. Mandónio foi preso e executado (205 a.C.), mas Indíbil conseguiu escapar.

Magão e Asdrúbal abandonaram Gades com todos os seus barcos e tropas para acudir a Aníbal, já em Itália. Roma tornava-se assim senhora de todo o Sul da Hispânia, desde os Pirinéus ao Algarve, no seguimento da costa e, para o interior, de Huesca em direcção ao Sul até ao rio Ebro e para Este em direcção ao mar. A partir de então, iniciou-se a administração romana da península iberica, inicialmente com o caráter de ocupação militar, com o fim de manutenção da ordem e de exploração dos recursos naturais das regiões ocupadas, doravante integradas no território controlado pela República. Assim, a porção ocupada ficava desde já dividida em duas províncias: a Citerior, ao Norte, e Ulterior, ao Sul, com capital em Córdoba. A administração ficava incumbida a dois pretores em bienios que, de resto, nem sempre se cumpria.

Primeira Guerra Púnica – Foi um conflito travado entre 264 e 241 a.C. entre Cartago e a República de Roma, as maiores potências da região do Mediterrâneo da época. Foi a primeira de três guerras entre os dois povos, todas vencidas pelos romanos. As baixas e conseqüências econômicas do confronto foram muito altas para ambas as partes.

No meio do século III a.C., Roma já era uma força militar e dominava toda a península da Itália, seja por meio de guerras ou por alianças com outros grupos, entre estes as cidades gregas na península italiana, tendo Tarento como a mais importante. Estas após o fracasso da invasão de Pirro (comandante grego que tentou dominar a Itália e a Sicília entre 280 e 275 a.C.) se renderam a Roma.

Cartago era uma potência comercial e marítima no Mediterrâneo, com portos no norte da África, península Ibérica e na Sicília. Possuía uma inimizade histórica com Siracusa, cidade grega situada ao leste da Sicília, ambas com pretensões de dominar a ilha. Cartago e Roma eram aliados comerciais e tinham inclusive combatido juntas contra Pirro, pouco mais de uma década antes do inicio da Primeira Guerra Púnica.

Em 288 a.C., uma companhia de mercenários italianos que haviam lutado por Siracusa contra Cartago, os Mamertinos, atacou a cidade de Messina, até então em poder de Siracusa, matando todos os homens e fazendo das mulheres suas esposas. Os Mamertinos dominaram o Estreito de Messina que separa o sul da Itália da Sicilia, atrapalhando rotas importantes da região. O sucesso da ocupação incentivou uma rebelião semelhante na cidade romana de Rhegium do outro lado do Estreito de Messina que só foi controlada dez anos depois em 270 a.C..

Assumindo o poder de Siracusa em 270 a.C., Hiero II decidiu reconquistar Messina e sitiou a cidade. Acuados, os Mamertinos pediram ajuda simultaneamente à Roma e à Cartago. Esta ultima viu no pedido de ajuda uma oportunidade de prejudicar Siracusa e aumentar seu poder na Sicília e sendo assim respondeu enviando tropas.

Apesar dos Mamertinos serem italianos, os romanos ficaram relutantes em ajudá-los contra Siracusa, principalmente por terem sofrido em Rhegium um conflito semelhante contra mercenários, mas temiam um aumento do poder de Cartago em suas vizinhanças.

Quando Roma decidiu ajudar os Mamertinos, Cartago já comandava Messina, mas os mercenários preferiram entregar o poder para os Romanos. Enfurecida, Cartago se aliou a Hiero contra a nova ameaça ao seu poder na Sicília: os romanos.

A guerra antes envolvendo o controle de uma cidade nas mãos de mercenários, tornou-se um conflito entre as maiores forças da região do mediterrâneo.

Segunda guerra púnica – Ocorreu entre 218 a.C. e 204 a.C. como oposiçao da República de Roma à Cartago. Durante o decurso da guerra, o general cartaginês Aníbal e seu exército atravessaram os Alpes com elefantes de guerra e invadiram a Itália. Venceram os Romanos em várias batalhas, mas não marcharam sobre Roma. Isso possibilitou aos Romanos a conquista da Espanha, a destruição de sua base logística e o desembarque na África, levando a guerra ao solo cartaginês. Aníbal, obrigado a retornar à Cartago, foi derrotado por Cipião Africano, em 202 a.C., na batalha de Zama. A pena imposta à Cartago foi severa, tendo que pagar pesados impostos e também ficando proibida de fazer guerra a outros povos sem autorização do Senado Romano.

A Guerra começou em decorrência indireta da Primeira Guerra Púnica. Organizando-se rapidamente após a derrota, os cartagineses expandiram seus territórios na África e invadiram a península Ibérica, dominando todo o Sul e o Leste da região, sob o comando do General Amílcar Barca. Para capital da nova colônia, foi fundada a cidade de Nova Cartago, num dos melhores ancoradouros naturais do mundo.

A Península Ibérica era um dos territórios potencialmente mais ricos do Mediterrâneo, pois além de ótimas terras para a agricultura, possuía minas de prata e uma grande reserva de guerreiros Celtiberos, ideais para servirem nas fileiras do desfalcado exército cartaginês.

Todavia, morre o comandante Amílcar Barca, assasinado em batalha contra uma tribo local. Com isto, o comando das tropas passou a seu filho, Asdrúbal.

Preocupada com a impressionante recuperação da antiga inimiga, Roma pressionou por um tratado, conseguindo que os cartagineses concordassem em conter sua expansão na região na linha do rio Ebro.

Todavia, pouco depois é assassinado o próprio Asdrúbal e, com sua morte, assume o comando do exército outro filho de Amilcar, Aníbal Barca.

Este, tão logo assumiu o controle do exército, sitiou barbaramente a cidade de Sagunto, que ficava bem ao sul do Rio Ebro mas era aliada de Roma. Considerando o ataque um ultraje, Roma pediu que Aníbal Barca fosse preso e entregue para julgamento. O Senado cartaginês recusou-se e começou a Segunda Guerra Púnica.

Logo de início, Aníbal atacou diretamente a península Itálica, mas usando uma rota absolutamente inesperada: ao invés de ir por mar, seguiu com seu exército pelo sul da Gália, tentando invadir o território romano pelo Norte. Fez seu exército atravessar o rio Ródano em balsas e chegou ao sopé dos Alpes, velha rota usada pelos invasores celtas do Norte da Itália. Sem contar com o apoio destas tribos que dominavam as passagens da cordilheira, teve de lutar metro a metro para conquistar as escarpas das montanhas que dominavam os vales por onde guiava seus homens. Finalmente, conseguiram atravessar as montanhas e chegar ao vale do Pó, apenas para verem morrer os elefantes que traziam desde a Ibéria. Mas a competência militar de Aníbal e do seu exército compensava o seu cansaço e logo os africanos alcançaram uma impressionante série de vitórias no vale do Pó. Principalmente na batalha do Lago Trasimeno, onde Aníbal fez o seu exército fingir uma debandada para atrair os romanos para uma armadilha, quando o exército cartaginês saiu de vales e montanhas em volta para cercar os romanos, arrasá-los e destruí-los completamente.

Mas Aníbal não dispunha de máquinas de assédio para tomar Roma ou talvez não acreditasse que suas tropas pudessem realizar um ataque direto à capital inimiga. De qualquer forma, tentou uma campanha política para granjear o apoio das cidades italianas submetidas à Roma, esta não obtendo grande sucesso devido a grande necessidade de Aníbal determinar o saque de algumas cidades italianas para suprir seu exército, o que gerou um descontentamento na região.

Entrementes, irritava ao povo Romano a política desenvolvida pelo ditador Quinto Fábio Máximo de enfraquecer aos poucos e periodicamente as tropas cartaginesas. Por isso, foram eleitos dois cônsules comprometidos politicamente com a idéia de um ataque puro e simples ao exército cartaginês. Para isto, Roma pôs em campo o maior exército de que até então dispusera, e dirigiu-se à Apúlia, no salto da bota italiana, para confrontar o exército de Aníbal, num local cujo nome designaria a batalha pra toda a etenidade: Cannae.

Mas o general cartaginês estudara os métodos romanos e os conhecia muito bem. Sabendo que o ataque seria direto e contra o centro de suas forças, Aníbal as dispôs com a infantaria mais fraca no meio de um pequeno vale, secundada por alas de lanceiros à direita e à esquerda, posicionadas nos declives das colinas. Além disso, colocou a sua excelente cavalaria Númida nos flancos mais extremos da formação. Quando os romanos atacaram, pareciam uma onda irressistível varrendo o exército cartaginês. Na verdade, estavam caindo numa excepcional armadilha: o centro cartaginês, sob pressão Romana, recuou progressivamente, enquanto os lanceiros fechavam o exército Romano pelos flancos e a cavalaria lhes atacava a retaguarda. O resultado foi um massacre. Dizia-se que os Romanos ficaram tão imprensados uns contra os outros que sequer podiam sacar as espadas. Esta tática, conhecida como duplo envolvimento, e que tem sido estudada até hoje, resultou na morte de cerca de 85 mil soldados Romanos e na completa destruição de suas melhores tropas.

Por alguma razão desconhecida, Aníbal recusou-se a marchar diretamente sobre Roma, descontentando seu comandante de cavalaria, Maharbal, que o censurou dizendo: “Sabes vencer Aníbal, o que não sabes é aproveitar a vitória“. Aníbal insistia na política de dissensão das cidades italianas, conseguindo o apoio de Cápua, a mais importante da Campânia, mas em geral falhando em seu objetivo político.

Neste meio tempo, como decorrência desta monumental derrota, os Romanos voltaram à estratégia de Quinto Fábio Máximo, desgastando o exército cartaginês com vários pequenos combates, enquanto reconstruíam suas tropas no norte da Península.

O irmão de Aníbal, Asdrúbal Barca, tentou enviar tropas de reforço através da rota ao sul da Gália, mas ao chegar a Itália seu exército foi inteiramente derrotado e ele próprio morto. Diz-se que sua cabeça foi atirada de uma trincheira romana para posições cartaginesas e que ao vê-la Aníbal teria dito que acabara a última esperança de uma vitória na guerra. Entretanto, os Romanos já estavam fortes e sob o comando de Cipião Africano reforçaram suas posições na própria Península Ibérica, tomando Nova Cartago.

Depois, ainda sob o comando de Cipião, invadiram o Norte da África, e Aníbal foi chamado a defender sua terra natal. Lá, ao invés de lhe dar combate direto, Cipião conseguiu atraí-lo para o combate em uma zona distante e onde os cartagineses não tinham água nem posições que os sustentassem em caso de derrota. Ali finalmente Cipião obteve sua vitória final, em Zama, onde o exército cartaginês foi totalmente derrotado.

Com as províncias ocupadas, seu próprio território sob ocupação inimiga e seu exército arrasado, o Senado Cartaginês, que anos antes se recusara a enviar reforços a Aníbal na Itália, foi obrigado a pedir a rendição.

Terminava assim a Segunda Guerra Púnica.

A derrota dos cartagineses, entretanto, não garantiu a ocupação pacífica da península. A partir de 194 a.C., registraram-se choques com tribos de nativos, denominados genericamente como Lusitanos, conflitos que se estenderam até 138 a.C., denominados por alguns autores como guerra lusitana. A disputa foi mais acesa pelos territórios mais prósperos, notadamente na região da atual Andaluzia.

Nesse contexto, destaca-se um grupo de Lusitanos liderados por Viriato, eleito por aclamação. Esse grupo inflingiu várias derrotas às tropas romanas na região da periferia andaluz, vindo a historiografia clássica a torná-lo um mito da resistência peninsular.

Ao se iniciar a fase imperial romana, a pacificação de Augusto também se fez sentir na península Ibérica: a partir de 19 a.C. as suas legiões ocuparam a região norte peninsular, mais inóspita, ocupada por povos cântabros e astures. Com esta ocupação, asseguravam-se as fronteiras naturais e pacificava-se essa região mais atrasada, de modo a que não constituísse ameaça para as populações do vale do rio Ebro e da chamada Meseta, já em plena fase de Romanização.


A influência Romana

Na península Ibérica a Romanização ocorreu concomitantemente com a conquista, tendo progredido desde a costa mediterrânica até ao interior e à costa do Oceano Atlântico. Para esse processo de aculturação foram determinantes a expansão do latim e a fundação de inúmeras cidades, tendo como agentes, a princípio, os legionários e os comerciantes.

Os primeiros, ao se miscigenarem com as populações nativas, constituiam famílias, fixando os seus usos e costumes, ao passo que os segundos iam condicionando a vida econômica, em termos de produção e consumo. Embora não se tenha constituído uma sociedade homogênea na península, durante os seis séculos de Romanização registraram-se momentos de desenvolvimento mais ou menos acentuado, atenuando, sem dúvida, as diferenças étnicas do primitivo povoamento.

A língua latina acabou por se impôr como língua oficial, funcionando como fator de ligação e de comunicação entre os vários povos. As povoações, até aí predominantemente nas montanhas, passaram a surgir nos vales ou planícies, habitando casas de tijolo cobertas com telha. Como exemplo de cidades que surgiram com os Romanos, temos Braga (Bracara Augusta), Beja (Pax Iulia), Conímbriga e Chaves (Aquae Flaviae).

A indústria desenvolveu-se, sobretudo a olaria, as minas, a tecelagem, as pedreiras, o que ajudou a desenvolver também o comércio, surgindo feiras e mercados, com a circulação da moeda e apoiado numa extensa rede viária (as famosas “calçadas romanas”, de que ainda há muitos vestígios no presente) que ligava os principais centros de todo o Império.

A influência Romana fez-se sentir também na religião e nas manifestações artísticas. Tratou-se, pois, de uma influência profunda, sobretudo a sul, zona primeiramente conquistada. Os principais agentes foram os mercenários que vieram para a Península, os grandes contingentes militares Romanos aqui acampados, a ação de alguns chefes militares, a imigração de Romanos para a Península, a concessão da cidadania Romana.

Finalizado o processo de conquista, a província foi integrada ao Império, dividida administrativamente em três partes:

  • Tarraconense, a Norte e Nordeste, até aos Pirineus;
  • Bética, a Sul; e
  • Lusitânia, com capital em Emerita Augusta (atual Mérida), estendia-se entre os rios Douro e Guadiana.

Registra-se neste período uma etapa de paz e prosperidade econômica, marcada pela construção de cidades e de uma rede de vias, talvez o elemento mais marcante da administração imperial Romana. A maioria das cidades na península adquiriu progressivamente a sua autonomia, vindo posteriormente a se constituir em sede de municípios.

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Aspectos culturais e econômicos

Assim como em diversas outras regiões do Império, também foram erguidas na península pontes, teatros, termas, templos, aquedutos e todo o tipo de edifícios públicos e privados, civis e militares.

No campo da religião, registra-se a sobrevivência de divindades primitivas ao lado de divindades Romanas, por vezes, também miscigenadas.

Durante a Romanização da península, a economia de subsistência das primitivas tribos foi paulatinamente substituída por grandes unidades de exploração agrícola em regime intensivo (as villae), produzindo azeite, cereais, vinho e pecuária, ao mesmo tempo em que o primitivo artesanato deu lugar a indústrias especializadas como as da cerâmica e da mineração. A atividade agro-pecuária localizava-se, particularmente, ao Sul do rio Tejo. Também houve desenvolvimento na atividade pesqueira, que por sua vez demandava o desenvolvimento da extração de sal e das atividades de construção naval.

No que diz respeito à exploração mineral, na qual a península era particularmente rica, todas as minas passaram a pertencer ao Senado de Roma, sendo exploradas por escravos. Entre elas destacava-se a região que se estende de Grândola a Alcoutim, de onde era extraído o cobre e a prata.

Para esse desenvolvimento, muito contribuiu a circulação da moeda romana.

A monetação provincial romana trata das moedas emitidas pelas colônias de Roma e por seus aliados.

Trata-se principalmente de moedas subsidiadas ou de moedas emitidas pelos Romanos, utilizando tipos que fossem melhor compreendidos pela populações locais.

As moedas provinciais foram emitidas em áreas conquistadas por Roma que, após a conquista, continuaram usando, pelo menos em parte, um sistema monetário diferente daquele do Império Romano. Estas moedas representavam uma continuação do sistema monetário original que existia nas regiões antes da chegada dos Romanos. As moedas provinciais foram prevalentemente usadas no Oriente e nas regiões adjacentes.

Inicialmente eram simplesmente a continuação das moedas originais de uma determinada área que naquele momento estivesse sob dominação Romana. É o caso da Cilicia, por exemplo (mas não só essa), onde foram concedidas pelo Imperador autorizações para a manutenção do padrão monetário (Assarion), com a efígie do Imperador.

Desta forma, nestas províncias circulavam moedas com padrão monetário romano (denários, sestércios, etc), porém usando legenda em uma língua franca, geralmente o grego, e moedas que conservavam o padrão monetário do povo sob dominação Romana.

A maior parte destas moedas eram cunhadas em bronze ou latão (mistura de cobre e zinco), e somente uma mínima parte em prata (jamais em ouro), devido ao fato que as cunhagens em prata eram controladas diretamente por Roma e o monopólio do “denário” (moeda de prata romana) era utilizado para controlar a economia destas áreas do Império.

Devido a longa distância do Império, as cunhagens destas regiões eram confiadas ao governador da província. Desta forma as cunhagens eram realizadas por autoridades cívicas que prestavam contas ao Império romano.

A autoridade que emitia podia ser uma cidade como Corinto ou Antióquia ou mesmo uma região como o Egito ou a Mésia.

Mésia (Moesia, em latim) era uma região geográfica limitada ao sul pelos Bálcãs e pelo monte Šar, ao oeste pelo rio Drina, ao norte pelo Danúbio e a leste pelo mar Euxino (atualmente conhecido como Mar Negro). A área era habitada principalmente por trácios e o seu nome origina-se de uma tribo trácia, os mesos ou mésios (moesi, em latim). Atualmente o território corresponde à Sérvia e à Bulgária.

Em 75 a.C., um exército romano, chefiado por Scribonio Curio, pro-cônsul da Macedônia, atingiu o Danúbio, derrotando os habitantes da região, os quais foram subjugados definitivamente por Marco Licínio Crasso, bisneto do triúnviro do mesmo nome e mais tarde também pro-cônsul da Macedônia (c. 29 a.C.). A área foi organizada como província Romana apenas no final do reinado de Augusto.

Inicialmente uma única província, sob um legado consular imperial (que provavelmente também controlava a Aquéia e a Macedônia), a Mésia foi posteriormente dividida por Domiciano em Mésia Superior (Moesia Superior, porção ocidental) e Mésia Inferior (Moesia Inferior), com o rio Cebrus como fronteira. Cada uma delas era governada por um legado consular imperial e um procurador. Sendo uma província de fronteira, a Mésia era protegida por postos e fortalezas erigidas ao longo da margem meridional do Danúbio; uma muralha foi construída de Axiópolis até Tomi (hoje a cidade de Constanţa, na Romênia).como proteção contra os citas e os sármatas.

Após a evacuação da Dácia ordenada por Aureliano, seus cidadãos foram realocados na parte central da Mésia, que passou a se chamar Dácia Aureliana (Dacia Aureliani, em latim), por sua vez dividida em Dácia Ripense (Dacia Ripensis) e Dácia Interior (Dacia Interior).

Após constantes incursões por godos e e outros bárbaros, os primeiros obtiveram a permissão do Imperador Valente para atravessar o Danúbio e instalar-se na província. Em seguida, Fritigerno, o chefe dos godos, derrotou Valente na Batalha de Adrianópolis (378 d.C.). No século VII, os búlgaros e os sérvios colonizaram a região e fundaram a Bulgária e a Sérvia.

As principais cidades da Mésia Superior eram Singidunum (hoje Belgrado), Viminacium (Kostolac), Bononia (Widdin, Vidin) e Ratiaria (Arčar). As da Mésia Inferior eram Oescus (ou colonia Ulpia, hoje Gigen), Novae (próximo a Sistova), Nicopolis ad Istrum (hoje Nikup), Odessus (Varna) e Tomi (Constanţa).

Figura: Mésia inferior

Figura: Mésia superior

Durante o principado de Trajano, Antióquia foi a principal Casa da Moeda para a emissão de dracmas e tetradracmas que foram cunhados inclusive em bilhão.

Figura: Antióquia numa estampa de 1865.

Figura: Solidus (ampliado) de Constantino cunhado na Casa da Moeda de Antióquia

Bilhão: Liga metálica de baixo teor de prata, empregada na Idade Antiga e na Idade Média para cunhar moedas. A palavra tem origem no latim medieval billia, “tronco de madeira”, através do francês bille, “lingote”, “peça de moeda”.

Nas moedas constam o nome de uma cidade ou de uma região ou são encontradas somente numa determinada área, facilitando o reconhecimento da Casa da Moeda onde foram cunhadas. Assim como levam a efígie do imperador e também possível identificar sob o domínio de quais príncipes foram emitidas, o que facilita muito uma datação precisa.

As moedas de bronze possuíam denominação um tanto incerta, mas algumas poderiam ser óbulos ou chalkus gregos, enquanto outras eram asses ou sestércios com legendas escritas em grego ou em latim segundo a área em que circulavam.

Chalkus: Do greco χαλκός (cobre), è uma antiga moeda de cobre da Ática. O valor do chalkus era equivalente a oitava parte do óbulo.

1 Talento = 60 Mine; 1 Mina = 100 Dracme; 1 Statere = 2 Dracme; 1 Dracma = 6 Óbulos

Talento: Antiga unidade de medida de massa. Os babilônicos e os Sumérios possuíam um sistema onde 60 shekel formavam uma mina e 60 minas formavam um talento.
O talento romano era formado por 100 libras que tinham massa inferior à mina.
Quando era usado como medida monetária, se entendia como “um talento de ouro”.
Durante a Guerra do Peloponeso na Grécia antiga o talento era a quantidade de prata necessária para pagar a tripulação de uma trireme (nave de guerra que usava a vela e remadores como sistema de propulsão) por um inteiro mês. Um talento ático corrispondia a 26,2 kg de prata.

Mina: Do grego μνα -mna-,latim mina, è una antiga moeda grega. Era inicialmente uma unidade de medida oriental.
Existiam a mina babilônica e a mina hebraica. Uma mina hebraica era constituída por 50 shekels. O talento era formado por 60 minas. O peso se situava entre 500 e 800 gramas. Com Ezequiel a mina passa a valer 60 shekels, igual aquela babilônica.

Shekel: Era uma antiga unidade de peso em uso no Oriente Médio e na Mesopotâmia. Na verdade era uma antiga unidade de peso hebraica. A palavra derivava do termo pesar. O valor variou muito no tempo e de acordo com os locais onde era adotado como medida.
Com o mesmo nome se indicavam moedas seja em prata que em ouro de peso 1 shekel. Na Mesopotâmia era avaliado em 1/16 de darico (7,5 óbulos áticos), isto è ½ grama de ouro.
O uso de unidades de peso como unidade monetária era comum no mundo antigo até a Idade Média, com traços inclusive nos nossos dias. Em inglês, a palavra pound indica tanto a libra peso quanto a esterlina, enquanto no italiano a palavra Lira e Libra derivam do latim libra no sentido de balança.
O peso do shekel hebraico podia variar entre 10 e 13 gramas. Um shekel valia 20 ghere e 20 shekels formavam uma mina. Um talento era o equivalente a 3000 shekels (entre 30 e 40 kg – Esodo 38,25-26).
Acredita-se que as “30 moedas de prata” de Judas fossem shekels de Tiro. Um shekel de prata era, naquela época, o salário diário de um trabalhador.
A atual unidade monetária de Israel é o sheckel.

Dracma: Era o nome de uma moeda da antiga Grécia. Foi retomada depois de 1832 para indicar o Dracma Grego que valeu no país até a entrada do Euro.
O nome dracma deriva do verbo δράττω (aferrar). Inicialmente um dracma era um punhado de 6 óbulos, espeto de metal utilizado como moeda até 1100 a.C..

Figura: Ática, Atenas. Cerca 449-404 d.C. AR Tetradracma (26mm, 17.17 g, 9h). Cabeça de Atena com elmo / Coruja em pé com cabeça voltada à direita; ramo de oliva e lua crescente atrás; tudo ao interno de um quadrado incuso. Kroll 8; SNG Copenhagen 31. EF.

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Na Antiga Grécia, o termo dracma indicava também uma unidade de peso. Era usada por todo o mundo grego e emitida pela maior parte das cidades. As primeiras emissões mostram imagens de animais, na maior parte das vezes, animais falantes e provém do VI século a.C..

Devido a técnica de cunhagem usada (martelo), os dracmas são, em sua maior parte, “achatados” no reverso e particularmente artísticas no anverso. Com o passar do tempo, a cunhagem atingiu um valor artístico elevado e extremamente refinado. Como consequência, a partir da Renascença, as moedas passaram, cada vez mais, a ter cunhagens de valor estético mais apurado.

Figura: Raro e belo exemplo de beleza e hamonia estética na cunhagem de moedas – Adriano, 117 – 138. Sestercio in oricalco atribuído ao “Mestre de Alfea”, Roma, 135 – 136 d.C., 25,53 gr. HADRIANUS – AVG COS III P P; busto de Adriano a direita / P-AX AUG / S-C/ A Paz de pé a esquerda mantendo na mão direita um ramo e naquela esquerda uma cornucópia. (…)A mais bela moeda Romana jamais cunhada. Um retrato de uma força e de uma expressão jamais igualada. Uma moeda perfeita, obra prima de equilibrio e de estética. Exemplar soberbo, com pátina esverdeada. Segundo P. V. Hill, The Undated Coins of Rome A.D. 98-117, 1970, 167, 568, teria sido cunhado em ocasião da “Vicennalia di Adriano”, e é obra de um incisor de alto gabarito. C. Seltman, Greek Sculpture and Some Festival Coins, Hesperia 17 (1948), p. 71 ss., reconheceu a mão deste artista em vários medalhões cunhados em honra de Antinoo, e o identificou como “Mestre de Alfea”. (…)Seltman não exitou em reconhecer neste o célebre escultor Antoniniano de Afrodisia. Os mais belos bronzes cunhados em 134 d.C. em Mantinea em honra de Antinoo, com efeito, parecem ser obra sua.(…)Três exemplares conhecidos.”

Depois da conquista de Alexandre o Grande, o nome “dracma” passou a ser usado em muitos dos reinos helenísticos no Oriente Médio, entre os quais o Reino Ptolomaico do Egito. O dracma foi também a primeira moeda de prata batida pela Antiga Roma no III século a.C.

A unidade monetária árabe conhecida como dirham e que remonta ao período pré-islâmico, deriva – através da Pérsia Sassanida – do antigo dracma e, como a moeda persa, também era de prata.

É difícil atribuir um valor a essa moeda que se possa comparar com os valores conhecidos atualmente, devido as profundas diferenças entre as diversas economias. Os históricos clássicos afirmam regularmente que próximo ao fim da República Romana e ao início do Império Romano, o salário de um operário era de 1 dracma.

O sistema monetário grego antigo era baseado no precedente sistema asiático que possuía como unidade de medida principal o talento, cujo peso era de 30,25 kg de prata, que era dividido em 60 minas.
Tais “valutas” jamais foram “batidas”, mas serviam de sistema de referência para a economia do estado.
Bem cedo, graças a expansão econômica de Atenas, o mundo Helênico adotou como sistema de referência para trocas aquele Ático, em prata.

1 Talento = 60 Mine = 26,2 kg de prata

1 Mina = 100 Dracme = 436 g de prata

1 Dracma = 6 Óbulos = 4,36 g de prata

1 Óbulo = 8 Chalkus = 0,73 g de prata

Além destas moedas, foi de grande importância o Estater (2 dracmas) com um peso de 8,7 gramas.

Estater: È o nome de diversos tipos de moedas da antiguidade. A moeda foi batida por várias cidades gregas nos diversos standards monetários, em prata, ouro e eletro.
O estater de prata era a moeda mais difusa na antiguidade grega. Era o mais alto valor nominal normalmente batido e valia, em geral, o dobro de um dracma.
Alguns dos estateres mais famosos são:

  • O estater de Atenas, que mostrava no anverso a cabeça da deusa Atena e no reverso a coruja – animal sagrado associado à deusa – pousado sobre um ramo de oliva.
  • O estater de Corinto que trazia Atena no anverso com elmo corinto e Pégaso no reverso.
  • O estater de Egina, com uma tartaruga.

Figura: Um estater de Corinto, 347 – 305 a.C.

Óbulo: Do grego ὀβολός era, na Antiga Grécia, uma pequena moeda divisional com valor igual a 8 chalkus. Seis óbulos valiam 1 dracma e 6000 dracmas o equivalente a um talento Ático.
Inicialmente o óbulo era batido em prata e mais tarde em cobre. Existe uma moeda de “metaponto”, sobre a qual se lê ΟΒΟΛΟΣ.
Segundo Pultarco, os espartanos cunhavam um óbulo de ferro de valor igual a 4 chalkus.

O óbulo era uma antiga unidade de peso. Na Antiga Grécia era definido como um sexto do dracma, ou seja 0,5 gr. Na Antiga Roma valia 1/48 da onça romana, ou seja 0,57 gramas. Na Grécia moderna equivale ao decigramo.
O termo é conservado ainda hoje devido ao importante rolo que teve na Mitologia Grega. Essa pequena moeda era colocada embaixo da língua dos gregos mortos na antiguidade, antes que fossem sepultados. Servia para pagar o barqueiro Caronte, uma espécie de pedágio destinado a conduzir o morto através do rio Aqueronte e além dos rios Cocito e Stige, no reino dos mortos, o Ade. Todo grego tinha por obrigação dar esta moeda aos seus mortos para impedir que a sua alma vagasse sem paz no reino do além-túmulo.

Figura: Óbulo de Metaponto com a efígie da deusa Demetra no anverso e uma espiga de grãos no reverso.

Todavia ainda não temos certeza completa do nome das moedas. Na maiorira circulavam somente a nivel local, dato que o valor dfelas era muito baixo.

Casas de cunhagem de moedas provinciais romanas na Península Ibérica
Abdera
Acci
Bilbilis
Caesaraugusta
Callagurris
Carteia
Carthago Nova
Cascantum
Castulo
Celsa
Clunia
Corduba
Ebora
Emerita
Ercavica
Gades
Graccurris
Hispalis
Ilercavonia & Dertosa
Ilerda
Illici
Insula Minor
Irippo
Italica
Julia Traducta
Laelia
Oba
Osca
Osicerda
Osset
Pax Julia
Saguntum
Segobriga
Segivia
Tarraco
Turiaso
Urso

Obs: Estas moedas eram cunhadas para circularem exclusivamente nas províncias romanas, sendo vetada sua circulação em Roma.

Os Romanos deixaram um importante legado cultural naquilo que é hoje Portugal, nos costumes, na arte, na arquitetura, na rede viária e nas pontes, algumas das quais servem até aos nossos dias, como a de Trajano sobre o rio Tâmega em Chaves (Aquae Flaviae) ou a de Vila Formosa (Alter do Chão), mas pouco terão contribuido para a composição étnica portuguesa actual. Uma variante do Latim (Latim Vulgar) passou a ser o idioma dominante da região. Surgiram novas cidades e desenvolveram-se outras, segundo o modelo habitual de colonização Romana. No fim do século I a.C. o imperador Augusto criou a província da Lusitânia, que correspondia a grande parte do atual território português, embora não à sua totalidade, já que as terras a norte do rio Douro integravam a Tarraconense. Em 74 d.C. o imperador Vespasiano concedeu o “direito latino” (equiparação aos municípios da Itália) a grande parte dos municípios da Lusitânia, datando dessa época um importante surto urbano.

Difundiu-se também a cidadania romana, que viria a ser atribuída a todos os súditos (livres) do Império pela chamada Constituição Antoniniana, ou Édito de Caracala (212 d.C.). Em finais do século III d.C. o imperador Diocleciano subdividiu a Tarraconense em outras províncias, entre as quais se achava a Callaecia, que integrava o norte do actual Portugal, a Galiza e as Astúrias. Durante o Império Romano o Cristianismo difundiu-se em toda a Hispânia, pelo menos a partir do século III.

Figura: Ponte romana em Marvão, Portugal.

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